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A arte
como ferramenta de educação ambiental

Educação Ambiental

Educação Ambiental: a arte de ensinar a preservar o planeta

Muitas instituições pelo país estão aderindo à utilização de meios artísticos para promover o ensino sustentável e incentivar o consumo consciente.

Por Melissa Maciel e Bruna Schaun

Ouça:

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Fonte: Acervo pessoal

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CAMBACICA Jhá

Mãe empreendedora, bióloga, rascunho de artista e escritora.

Fonte: Acervo pessoal

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Você já parou para pensar como seria envelhecer e deteriorar por mais de 400 anos? E enquanto você está ali à deriva, como se não bastasse sofrer com a degradação, ainda dá trabalho para aqueles que sustentam um estilo de vida ativo e próspero (que poderia até ser mais próspero, se você não estivesse ali prejudicando o ambiente em que a vida acontece). 

 

Bom, esta é a história do plástico que você usou e logo jogou no lixo semana passada. Seria muito benéfico para o habitat do ser humano, que por acaso é um lugarzinho chamado planeta Terra, se todos tivessem um pouquinho do espírito da dona Jovelina, uma senhora esperta e lúcida de 93 anos que reutiliza todo potinho de margarina que compra, usa vasilhas plásticas para plantar suas mudinhas e inclusive tem um armário só para os recipientes plásticos que higieniza para reutilizar. Dona Ju, já é conhecida em sua família por não colocar nada fora.

 

Pensando por esse lado, é interessante notar que do total de 82,5 milhões de toneladas anuais de resíduos sólidos urbanos, produzidos durante os anos de 2020 e 2021, pouco mais de um terço (33,6%) representaram materiais recicláveis secos. As informações são do Panorama dos Resíduos Sólidos 2021, produzido pela Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) e divulgado pela Agência Brasil. A pesquisa aponta também, que apesar de terem sido registradas iniciativas de coleta seletiva em mais de 74% dos municípios nacionais, ela ainda acontece de forma embrionária em muitos deles.

 

Segundo o levantamento, essa realidade promove uma sobrecarga do sistema de destinação final dos resíduos, bem como da extração de recursos naturais, muitos já próximos do esgotamento. No entanto, apesar deste contraste desfavorável, há iniciativas ao redor do mundo que lutam por um desenvolvimento humano em sociedade de forma sustentável. 

 

O instituto Ipsos, líder global em pesquisa de mercado e opinião pública, realizou um estudo com 28 países, incluindo o Brasil, para reunir dados da opinião popular sobre os desafios do descarte de embalagens plásticas. No estudo, 80% dos consumidores ao redor do globo defenderam que os produtores deveriam ser responsabilizados por ajudar na reciclagem e reutilização das embalagens plásticas por eles produzidas. Além disso, 71% disse acreditar que embalagens plásticas de descarte imediato deveriam ser banidas o mais cedo possível e 75% dos consumidores afirmaram que se sentem melhor com relação a marcas que fazem mudanças para atingir resultados mais sustentáveis.

 

Diante dessa premissa, é interessante notar como têm crescido as iniciativas por reaproveitar os produtos a serem descartados, de maneira a os fazerem úteis de novo. Mas além da utilidade, os consumidores têm pensado a reciclagem com criatividade e requinte artístico, para através disso promover a educação ambiental. 

 

Mas o que é educação ambiental?

 

Segundo a Política Nacional de Educação Ambiental, tal modalidade educativa abrange os processos que estimulam o indivíduo e a sociedade à construção de valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, considerado um bem de uso comum e essencial à qualidade de vida. 

 

O documento oficial aponta, também, que a educação ambiental é um componente fundamental e permanente da educação nacional e deve estar presente em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal, ou seja, na educação escolar e não-formal, que corresponde às ações educativas voltadas à conscientização da coletividade sobre as questões ambientais e à sua participação na defesa da qualidade do meio ambiente. 

 

Entre os principais objetivos da educação sustentável, conforme a política nacional, estão o desenvolvimento de uma compreensão do meio ambiente em suas múltiplas e complexas relações, a garantia da democratização das informações ambientais, o fortalecimento de uma consciência crítica sobre a problemática ambiental, além do incentivo à participação individual e coletiva, permanente e responsável, na preservação do meio ambiente.

 

A bióloga, artista, escritora, empreendedora e mãe, Jhavana Gomes, escreve livros infantis voltados para a educação em favor da preservação ambiental. Seu maior projeto consiste em um kit denominado “Aves do Quintal”, que trata das aves nativas, silvestres vistas mais comumente em áreas urbanas. No entanto, ela também produziu o livro, “Lobo Guará, como faço para te desenhar?” e o kit “Mamíferos do Cerrado”, que será lançado este ano e envolve livro, jogo da memória e mini guia em forma de álbum de figurinhas com quinze espécies de mamíferos deste habitat.

 

Com relação a introduzir as crianças no universo da educação sustentável, a escritora explica que toda criança tem uma natureza curiosa inata que precisa ser incentivada. E citando o exemplo de sua produção sobre as aves, ela ressaltou a relevância de instrumentos como este para as crianças “conhecerem melhor com quem a gente divide o espaço, quais são as outras espécies que dividem o meio ambiente com a gente.”

 

Além disso, citou a importância de desconstruir a ideia de que a natureza está distante, lá na floresta, no cerrado e ressaltar o fato de que o ser humano faz parte da natureza. “Isso também trata de humildade, para a gente entender que não estamos sós, mesmo em meio à área urbana nós vemos quanta biodiversidade nos circula.” 

 

Já sobre o papel dos instrumentos artísticos no processo de educação ambiental, Jhavana comenta: “através da arte, eu acredito ser possível a gente incentivar a valorização. Através de representações artísticas da nossa biodiversidade, dessa identificação das espécies por meio de desenhos, pinturas, cria-se uma identidade, a gente acaba identificando quais são as nossas riquezas e cria essa admiração, e a partir disso a conservação vem e caminha forte, porque quando a gente admira e valoriza, a gente cuida.”

 

Para ela, a arte é um incentivo para a criança perceber quanta qualidade artística já há na própria natureza e quanto o ser humano pode se inspirar nela. “A arte da natureza, com essa não tem nem como competir”, conclui.

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Benefícios da educação em favor do planeta

De acordo com o blog da UNIME (União Metropolitana de Educação e Cultura), os benefícios da educação sustentável são abrangentes e envolvem aspectos como a formação de cidadãos mais críticos e conscientes, que recebem o ensino e se tornam mais atuantes e preocupados com o impacto de suas ações no meio ambiente. Além disso, essa modalidade educacional tem o poder de elevar o nível profissional dos estudantes, pois como agente responsável por seus atos, o aluno desenvolve raciocínio lógico e maior respeito pela natureza.

 

Segundo o portal, essa dinâmica educacional permite que os alunos se tornem colaboradores e gestores com maior capacidade de criar soluções e trabalhar em equipe, desenvolvendo a criatividade, além da habilidade de reduzir gastos e de uso inteligente dos recursos. A tudo isso soma-se ainda o crescimento ético e moral, que contribui para uma melhor formação pessoal do estudante. 

 

A graduanda em Pedagogia, Gabrielly Crefta Martins, explicou que a educação ambiental tem grande peso dentro do espaço de educação formal, “porque através dessas aulas o aluno vai poder compreender melhor o mundo em que ele vive, desenvolver habilidades ligadas à preservação do meio ambiente, vai aprender a lidar com conflitos e isso vai estimulá-lo a trabalhar mais a sua individualidade.”

 

Educação ambiental através da arte 

 

Diversas instituições e artistas ao redor do Brasil e do mundo têm adotado princípios de preservação e educação ambiental em suas produções. O grupo musical Orquestra de Sucata, por exemplo, desde 2014 une música e reciclagem fazendo apresentações utilizando instrumentos confeccionados com sucata e materiais recicláveis. Dessa forma, envolvem o público com suas músicas autorais que falam, exclusivamente, sobre a importância da responsabilidade ambiental.

 

Os instrumentos do grupo são produzidos a partir de latas, galões, canos de pvc, garrafas plásticas, carrinhos de obra, potes de biscoito, garrafas de vidro de diversos tamanhos, formas de bolo, chaves de fenda, chaves normais e muitos outros materiais recicláveis. 

 

Sobre o papel da arte na promoção da conscientização ambiental desde a infância, Jozene Noal, porta-voz da Orquestra, explica: “costumamos dizer que a arte inspira a vida. Ao utilizarmos sucata e material reciclado, unindo arte e meio ambiente, provamos para o público que é possível construir realidades sustentáveis, mas sem deixar de lado o fomento à criatividade. Não é só um projeto, não são só instrumentos, são pessoas que querem transformar a realidade em que vivem, buscando a transformação socioambiental a partir dos pequenos futuros adultos.”

 

De acordo com Jozene, o projeto vai muito além de apresentações musicais. O grupo visa deixar uma reflexão e impactar aqueles que se deparam com a mensagem trazida pelas performances.“Tendo em vista o contexto social, cultural e educacional no âmbito público brasileiro, este projeto busca promover a educação através da arte e da música. Também fomenta o trabalho em equipe, desenvolvendo habilidades motoras e cognitivas, tendo em vista a necessidade de unir diversos instrumentos para produzir harmonizações sonoras”, salienta.

 

Jozene destaca, ainda, que os instrumentos utilizados podem emitir notas musicais tanto quanto os instrumentos tradicionais, mesmo que alguns possuam algumas limitações de alcance no que tange às notas. No entanto, ela afirma que, mesmo assim, os musicistas “fazem o show acontecer com a mesma energia de quando usam instrumentos tradicionais, é lindo de ver.”

 

Outro exemplo de artista que encontrou inspiração em princípios sustentáveis, é Ricardo Gabriel Barbosa dos Santos, de Recife, PE. Conhecido como Afro'G, o jovem teve contato com a dinâmica da reciclagem desde muito cedo, uma vez que sua mãe e avó eram catadoras de recicláveis. Hoje em dia, ele se inspira em experiências da comunidade em que vive para produzir arte a partir de materiais reutilizáveis. 

 

“A arte através do material reciclável mudou a minha vida, porque desde pequeno eu tive contato com os materiais recicláveis, minha mãe e minha avó foram catadoras desses materiais. Como gratidão e como forma de transformar o que não tem valor em algo que tenha valor, eu transformei em arte.”

 

Gabriel reutiliza materiais como papelão, peças de eletrônicos, madeira, alumínio e ferro com o objetivo de os dar sentido por meio da produção artística. “Eu acho que a arte está além do tempo, então poder transformar um material que estaria lá no meio ambiente, que pode ser prejudicial tanto para nós quanto para os animais em uma matéria de transformação, é incrível”, finaliza o artista.

 

A partir de exemplos como estes, a educação ambiental tem alcançado novos horizontes para a construção de uma sociedade crítica com relação à preservação do ambiente em que a vida acontece. Mediante este cenário, artistas e educadores têm demonstrado que a arte, em suas múltiplas funcionalidades, pode desempenhar um papel de destaque nesse processo educacional.

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Fonte: Acervo pessoal

Fonte: Acervo pessoal

A Orquestra de
Sucata

Orquestra de Sucata

Orquestra de Sucata

Orquestra de Sucata

Orquestra de Sucata

Orquestra de Sucata

Orquestra de Sucata

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Orquestra de Sucata

Orquestra de Sucata

Orquestra de Sucata

Orquestra de Sucata

Orquestra de Sucata

Orquestra de Sucata

Orquestra de Sucata

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Orquestra de Sucata

Orquestra de Sucata

Orquestra de Sucata

Orquestra de Sucata

Orquestra de Sucata

Fonte: Acervo pessoal

Meu lixo, minha arte

O que meu lixo pode virar?

Perguntamos a 4 estudantes universitários o que eles fariam para dar nova vida ao lixo. A realidade pode te surpreender!

Uma garrafa pet e um pneu prejudicam muito o meio ambiente, 

Acumulam água, sujeira e até propagam a dengue.

Para esses objetos deixarem de existir, é necessário de 200 a 600 anos.

É muito tempo pra esse lixo ficar aqui causando danos

Não podemos deixar de pensar no dinheiro que o governo precisa gastar.

Um pneu descartado de forma incorreta entope esgotos, causa inundações polui solos e rios.

Isso é um grande problema para o cofre público do Brasil.

Investir em máquinas de retirada de lixo não é nada barato.

Lixo descartado de forma errada tira dinheiro da educação da criançada.

Mas lembre-se, não é só o pneu ou a garrafa pet que prejudicam o meio ambiente,

Então separe seu lixo e descarte conscientemente. 

Recicle o seu lixo, com ele dá para fazer muita coisa interessante,

Como brinquedos, vasos de plantas e até uma estante.

Não esqueça que nunca é só um pacotinho de bala jogado no chão.

Seu plástico, sendo reciclado, evita a extinção.

Extinção de peixes, tartarugas e muitos outros animais, 

Eles precisam estar vivos para que a gente viva em paz.

- Bruna Schuan

Poste uma foto com uma peça de upcycling e use a #sustentabiliart

Upcycling

Upcycling: uma alternativa sustentável para o consumo desenfreado

Segundo a Fundação Ellen MacArthur, cerca de 71% das pessoas apresentam interesse em negócios com economia circular, como reutilização, revenda e consertos.

Por Gabriel Teixeira e Ana Julia Alem

Ouça:

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Lymbo

O lymbo é uma marca brasileira de Upcycling.

Fonte: Divulgação Instagram @lymbo____

Quem nunca quis estar dentro da moda? Usar uma roupa que é tendência entre as celebridades e ídolos de todas gerações, muitas vezes se torna algo importante para nós, pode dar uma sensação de fazer parte de algo. Porém a moda, como o próprio dicionário nos explica, é algo que é de “uso passageiro que rege, de acordo com o gosto do momento, a maneira de viver, de vestir, etc”. Por conta disso, dessa troca rápida do que está na moda, e da ânsia das pessoas de estarem dentro dela é que há alguns bons anos surgiu o termo “fast fashion”.

 

Explicando rapidamente sobre, a expressão surgiu nos anos 1990, e é um modelo de fabricação de algumas grandes lojas do ramo têxtil, no qual elas mudam rapidamente a sua linha de roupas, com uma produção e matéria-prima baratas, visando o lucro. As empresas confeccionam roupas parecidas com tendências, em um número mais reduzido para dar esse tom de exclusividade, por um preço mais acessível para o público, entretanto, essa produção acelerada se torna preocupante para o meio ambiente por conta do descarte inadequado das roupas que estão “ultrapassadas” e do processo mais barato que as lojas utilizam. 

 

Segundo a revista “Forbes”, essas roupas (de "fast fashion") são utilizadas menos de cinco vezes e geram 400% mais emissões de carbono do que outras peças comuns, que só para se ter uma ideia, são usadas 50 vezes.

 

Upcycling e seus efeitos no meio ambiente

 

Para tentar diminuir o impacto do descarte inapropriado e driblar essa prática, algumas empresas entraram no ramo do upcycling. A prática consiste em reinventar objetos que seriam descartados, dando-lhes novos propósitos e significados, como restaurar a velha máquina de costura e usá-la como escrivaninha, pegar uma roupa que era praticamente “lixo” e transformar em uma nova peça para venda, ou pintar uma escada antiga e transformá-la no mais novo suporte de plantas. 

 

O termo “upcycling” foi utilizado pela primeira vez em 1994, pelo ambientalista alemão Reine Pilz, conhecido por seu trabalho na Pilz GmbH & Co, uma empresa líder em tecnologia de automação segura. Porém, o termo só ficou popular em 2002, quando o livro “Cradle to cradle” foi lançado. Após isso, a prática se desenvolve e se reinventa cada vez mais, alcançando um número maior de pessoas e empresas.

 

Existem diferentes formas de aderir ao upcycling, desde técnicas simples até outras mais elaboradas, mas o que todas têm em comum é que elas contribuem com a sustentabilidade.

Para entender mais sobre o assunto na prática, entramos em contato com uma marca brasileira que está no mercado há cerca de três anos, a Lymbo

 

Beatriz de Oliveira, fundadora da marca, nos contou que iniciou sua trajetória no ramo da moda, fazendo estágio em um brechó, onde pôde entender mais sobre como era feito o processo para vender peças de segunda mão. A partir daí, em 2019, surgiu a ideia de criar a Lymbo, com o intuito de colocar a sua visão e conceitos que tinha para as roupas. 

 

Beatriz fala com muita propriedade sobre a questão sustentável que carrega dentro da marca. “A peça mais sustentável do mundo é aquela que já existe. O propósito é colocar nossa visão estética e de mundo nessas peças. Com designs novos e únicos”. E completou enaltecendo a importância do método: “além da questão sustentável, creio que [o upcycling] é uma forma de exercitar sua criatividade e respeito. Respeito à peça/material e a história dela e criatividade para dar à ela uma nova vida."

O upcycling está na moda

 

A técnica não se restringe apenas às roupas, ela abarca outras áreas também, tais como: criação de móveis, decoração e até produção de materiais escolares. De fato, ela está muito presente na moda, criando roupas, acessórios e sapatos por meio de diversos materiais que seriam jogados fora, desde câmaras de pneu usadas até tecidos de guarda-chuvas. Ou seja, o upcycling não possui limites quando o assunto é criatividade.

 

A Miu Miu, fundada por Miuccia Bianchi Prada, é uma linha de difusão da Prada e busca oferecer uma apresentação mais colorida e moderna. No final de 2020, a marca decidiu abraçar a técnica e lançou a coleção Upcycled by Miu Miu, ela reúne oitenta vestidos dos anos 1930 à 1980 que foram transformados e caracterizados com a visão da marca, sempre mantendo as memórias originais do tecido. As peças são únicas e estão disponíveis apenas em nove lojas Miu Miu espalhadas pelo mundo.

 

Outra marca muito conhecida que aderiu ao upcycling foi a Hermès, que desenvolveu a linha Petit H. A marca juntou todos os retalhos de pele e couro resultantes de suas antigas produções e transformou-as em novas obras. Uma de suas peças reuniu um botão de jaqueta, uma garrafa de cristal encaixados e um pedaço de couro, tudo isso encaixado formou um saleiro. Isso é upcycling, dar ao objeto uma nova vida e propósito.

 

Em 2022, durante o Casa de Criadores, evento que reúne profissionais da moda para debater, criar coleções e produzir desfiles que retratam suas causas, o designer Leandro Castro mostrou como é possível transformar objetos que seriam deixados de lado em algo inovador. Ele se destacou por mesclar a criatividade e a modernidade com a alfaiataria. E o melhor, Leandro optou por colocar em prática o upcycling, utilizando kimonos de judô e tapetes de carro para criar algumas de suas peças.

 

Apesar de grandes marcas embarcarem no projeto do upcycling, quem realmente está presente são os pequenos negócios. É o caso da Unagui, um brechó que busca ressignificar peças de segunda mão por meio do upcycling, da customização ou de uma simples reforma. Uma das fundadoras da Unagui, Aline Tercete, conta que o maior objetivo do brechó é recriar tendências valorizando o artesanato e gerando espaço de criatividade para que as pessoas se encontrem na moda de segunda mão.

 

“Quando olhamos para o lado e vemos as toneladas de roupas que estão sendo produzidas a custo de banana, e de vidas, parece em vão dizer que a solução está na roupa de segunda mão. Porém, quando compramos em brechó, reformamos, trocamos com uma amiga ou pegamos do armário da avó, estamos dando um passinho para fora do sistema e outro para dentro de nós, fazendo nossa própria moda, valorizando a nossa história e principalmente construindo nosso futuro”, completa.

 

Mudando um hábito

 

Talvez, depois de tanto conteúdo que trouxemos aqui, você deve estar se perguntando, qual a diferença de upcycling para a reciclagem. A diferença, basicamente, está na questão do valor do produto após o processo. Por exemplo, enquanto na reciclagem, o produto ganha um novo ciclo, para ser reutilizado, no upcycling, é visado que determinado objeto, após toda a transformação necessária, recebe uma valorização em seu ciclo de forma que o seu valor agregado aumenta, sendo que aquela mercadoria estava destinada ao lixo. 

 

O processo de restabelecimento do produto no mercado, por meio do upcycling, acontece de uma forma manual, na maior parte das vezes. Um vestido que já estava destinado a ir para o lixo, através de um trabalho bem feito, pode virar um short, ou uma saia. A reciclagem, em sua maioria, acontece por meio de um processo industrial, químico, maquinário, algo mais aperfeiçoado. 

 

Diante de tudo isso, a importância do upcycling fica clara. A prática se resume a dar um novo sentido para um objeto que era lixo e visa diminuir dados que são alarmantes dentro da moda. Ao invés de comprar uma roupa em uma grande loja, dê a oportunidade para algumas das tantas opções que trouxemos aqui hoje, seja a uma grande marca ou a um brechó. Cada detalhe, faz a diferença. Pode parecer algo simples, mas se essa reportagem conseguir fazer você pelo menos pensar sobre o assunto, já estamos felizes com o nosso resultado. 

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Ouça

Pouco para ouvir, muito para aprender

Uma breve história sobre a importância da conscientização.

De forma literária, encontramos uma forma de te contar uma bela história. Talvez ela não seja tão bela assim, mas te garantimos que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para focar nas coisas boas. Infelizmente, não dá para ignorar a parte ruim e por isso te convidamos a ouvir (e refletir) clicando no play.​

Perfil

“Vender minha arte na praia”: problemas de grana e muita criatividade criaram um projeto artístico que também ajuda a natureza

“Eu queria algo sustentável que tivesse a minha identidade.”

Por Victor Bernardo

Ouça:

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Fonte: Divulgação Instagram @bharauna

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Na internet, é comum encontrar relatos de pessoas que, diante de alguma dificuldade no trabalho, na faculdade ou na vida social, falam – a maioria em tom de brincadeira – sobre a possibilidade “largar tudo e vender sua arte na praia”. É certo, no entanto, que a cultura dos memes faz com que esse número seja muito maior do que a quantidade real de pessoas que teriam a coragem para tentar viver apenas com suas produções artísticas.

Luís Alberto Baraúna, 26, é natural da capital Baiana, onde viveu com a mãe e três irmãs durante boa parte da vida. Depois de uma breve passagem por Santa Catarina, em 2019, ele se estabeleceu na pequena cidade de Engenheiro Coelho, no interior de São Paulo.

O contato com a arte sempre existiu. Embora na família não houvesse muitas referências – com exceção de alguns primos distantes que se envolviam com arte –, a educação se mostrou importante para despertar o interesse do jovem por esse mundo. “Eu comecei a desenhar no ensino fundamental, sempre gostei e me dediquei muito na matéria de Artes”, conta.

A arte como solução

Baraúna, como é conhecido pelos amigos, é um daqueles poucos que realmente têm coragem para viver da arte, mesmo que ele tenha precisado de uma pequena ajuda das circunstâncias. Ele explica: “Eu estava passando por alguns problemas financeiros, e pensei ‘porque não vender a minha arte?’ Sempre tive essa vontade, mas sou um pouco pé no chão com relação a isso”.

No início deste ano, porém, diante de um aperto econômico, a solução para o jovem foi justamente a arte: ele decidiu personalizar e vender Ecobags – sacolas reutilizáveis feitas de material sustentável. Baraúna conta que também se interessa por bolsas, e resolveu juntar várias coisas que gosta no projeto: “Eu pensei em juntar a arte com as bolsas, e trazer, também, algo sustentável.”

Importância da sustentabilidade

Ele explica que desde o início da ideia, o objetivo era fazer algo que respeitasse o meio ambiente. “Queria fazer algo sustentável, que não agredisse a natureza e tivesse a minha identidade.” 

Assim como a arte, o respeito e carinho pela natureza vêm desde muito cedo. “Eu tenho muito contato com a natureza”, conta o jovem, enquanto explica que frequentemente a usa como fonte de inspiração para os desenhos e pinturas. Passar a juventude frequentando a Igreja Adventista do Sétimo Dia também contribuiu para isso. Participando do clube de Desbravadores – uma espécie de escoteiros da Igreja Adventista –, ele aprendeu desde cedo a importância do respeito pelo meio ambiente.

Separar a arte do artista

“Eu sou uma pessoa muito sensível, então eu preciso materializar os meus sentimentos”, Baraúna comenta, explicando o que o levou até a arte. Além de desenhar e pintar, o jovem conta que se aventura pelo artesanato e escrita: “faço de tudo um pouco”.

Nesse sentido, ele explica a importância que a arte tem na vazão de seus sentimentos. Quando perguntado se é possível separar a arte do artista, ele nega prontamente: “É impossível. O artista reproduz os sentimentos e as vivências dele no processo artístico”

Projetos para o futuro

Antes de pensar em um longo prazo, Baraúna conta que tem alguns objetivos em relação às Ecobags para um futuro próximo. A divulgação, por exemplo, ainda acontece dentro do seu perfil pessoal nas redes sociais. Por isso, as metas incluem criar uma identidade visual e um Instagram voltado só para as bolsas, para desenvolver o produto. Ele resume: “Eu quero criar uma marca.”

No fim do encontro, o jovem fala sobre seus planos para a carreira, que envolvem continuar trabalhando com arte. Baraúna é estudante de Rádio e TV no UNASP – Centro Universitário Adventista de São Paulo. Ele conta que a área da comunicação que sempre o fascinou foi a parte artística, como cenografia e direção de arte, e finaliza falando sobre o desejo de seguir esse caminho, unindo os dois universos. “Eu vou seguir a área de direção de arte”, garante.

Documentário

Do lixo à arte: uma missão impossível

Conheça uma possível trajetória daquilo que você descarta

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Sobre nós
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Nossa equipe

O SustentabiliArt é um projeto temático desenvolvido por alunos do segundo, quarto e sexto semestre do curso de Jornalismo do UNASP, durante a Jornada de Comunicação de 2022.

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